O espírito mais aventureiro do Ronaldo me convenceu a chegarmos a Jacumã como fazem os locais, de ônibus. De táxi, do aeroporto até a cidadezinha seria R$ 50,00. O preço da passagem de ônibus era R$ 1,85 até a rodoviária e depois mais R$ 5,00 até Jacumã, um total de R$ 13,70. Ainda estava cedo e não tínhamos motivo para chegar lá antes do horário do check in. Ainda por cima, não tem horário de verão por lá e era mais cedo ainda. Fomos de busão até a rodoviária. O ônibus era bem detonado, mas tocava "música ambiente". Foi engraçado. Conhecemos um pouco da periferia de João Pessoa no trajeto até o centro.
Chegamos à rodoviária e tínhamos de aguardar o outro ônibus, que nos levaria até Jacumã. Dez minutos se passaram e nada. O ponto encheu e, de repente, estava vazio novamente. Que estranho! Será que as pessoas desistiram de viajar? Mais dez minutos, um sorvetinho de açaí para conter o calor. O ponto cheio novamente. Percebi, então, que tinha surgido um homem e que "recolheu" quatro pessoas com ele. Saíram todos e o ponto ficou vazio mais uma vez.
Perguntei para o rapaz que vendia água, cerveja e balas o que tinha acontecido. Ele disse que era lotação de carro. Eles cobravam a mesma tarifa do ônibus e te deixavam lá em Jacumã. Como o nosso busão não aparecia, resolvemos adotar o sistema.
Fomos com o senhor Regino, que era pastor, mais um homem e uma mulher. Descobrimos que os pedreiros na Paraíba costumam fazer o "dominguinho", que nada mais é do que enforcar a segunda-feira de trabalho. A senhora nos resumiu assim: não trabalham no final de semana, nem no dominguinho e, na terça, estão de ressaca. Voltam à lida apenas na quarta-feira. Depois do almoço, claro.
Falamos um pouco de política e de religião. A senhora nos contou que era de São Paulo e que tinha ido até Jacumã apenas para passear. Nunca mais voltou. Se casou e tem hoje quatro filhas - uma delas se casará em janeiro. O caminho durou cerca meia hora e os coqueiros na beira da estrada revelavam que ali por perto havia mar.
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